Minha jornada no LDP – Rafa Veloce

Eu ainda ensaiava falar corretamente e tentava me equilibrar sobre uma bendita tábua com 4 rodinhas. Aos 3 anos de idade, ganhei um skate do meu coroa e achava o maior barato brincar no playground do prédio, mas o medo parecia imperar e minha maior curtição era andar ajoelhado no deck, fazendo curvas bem fechadas tirando fininho das paredes e contando os dias pra chegar o final de semana pra meu pai me levar pra brincar nas ruas vazias de Boa Viagem – Recife na década de 80, além de passar um bom tempo colocando as bilhas das rodas, que insistiam em se espalhar pelo chão… era um saco! Rsrsrs! Capixaba, filho de bancário, cresci mudando de cidade em cidade a cada 2 anos, até a minha adolescência.

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Talvez pela falta de espaço ou áreas de lazer… acabei deixando o skate de lado, por uns anos, tentando retomar a brincadeira depois de “velho” aos 26 anos. Como qualquer adolescente, tive paixões ou fases esportivas… como basquete, volley, surf, surfe de peito (apaixonado até hoje) e principalmente o ciclismo de estrada na modalidade de contra-relógio que estimulou a minha dedicação como atleta por conta da facilidade de adaptação (física e mental) nos treinos, competições e por gostar de perseguir o principal adversário – o tempo, tentando fazer o relógio girar mais lento a cada KM percorrido (só de relembrar meu coração pula mais forte no peito. rsrs!). Concluída a faculdade, o foco muda de direção e a dedicação a profissão falou mais alto… Entre cursos de especialização, empresas, viagens à negócio, projetos, reuniões… implantações… entre de cabeça no mundo dos negócios e deixei de lado o esporte, trazendo apenas a parte filosófica/psicológica comigo – a garra, o foco a determinação, o perfeccionismo…

 

Como disse acima, aos 26 anos tive um novo contato com o skate. Meu irmão mais velho, havia comprado um longboard, à noite quando juntávamos a turma da rua pra bater papo e tocar violão na calçada de casa, meu irmão ficava pra lá e pra cá descendo duas ladeiras que terminavam em frente a nossa casa. Numa dessas idas e vindas, eu resolvi subir na tábua novamente e brincar como nos tempos de criança. Pronto! Estava refeito o laço de amizade com a “tábua e as quatro rodinhas”. Comprei um longboard também e comecei a pegar dia após dia a segurança de surfar na ladeira. Aos poucos a ladeira começou a ficar sem graça e comecei a girar na cidade de skate… em plena madrugada. Curtindo a brisa fria da invernada no peito sem camisa e na cara, remando feito louco, tendo aos pés um Flexdex Kelly Slater com rolamentos supersoltos. Aos 28, por conta de oportunidade profissional mudo de cidade e vou para o interior do Espírito Santo, na cidade de Cachoeiro de Itapemirim. Cidade repleta de morros para poder surfar e começar a experimentar a modalidade de Downhill, começando a brincar em rodovias… mas numa bela tarde, numa dessas descidas adrenalizantes levo uma vaca de ir direto para o hospital, sob suspeita de ter fraturado uma costela… por pouco não estaria aqui escrevendo esse texto… quase me enfiei debaixo de um carro. (prefiro nem lembrar direito). Trauma que carrego até hoje e que me faz olhar qualquer descidinha como um precipício. Passo mais um tempo longe, tomando distância do skate… raramente colocando os pés no longboard.

 

Foram 10 anos de engorda. 25kg a mais sobre os pés… e na busca de reencontrar a felicidade novamente em cima da tábua com rodinhas, comecei a pesquisar algo diferente… algo que pudesse chegar na flexibilidade do meu cansado flexdex… e daí durante uma pesquisa na web, encontro a bossa boards e seus belos shapes em bambú. Me conquistou de cara e fiz a encomenda via site de um PIN42, para aplicar os antigos trucks do flexdex. A fissura era tão grande, que não conseguia esperar o prazo de 10dias… entrei no Youtube para assistir vídeos de proprietários curtindo o skate… e esbarrei num vídeo do Yuri Santos que falava sobre o seu setup LDP36 para fazer pumping! (hum? Fazer o que? Que raio de pumping é esse? LDP??? 16km/h? Como assim?). Na tentativa de reproduzir o “pumping” e dando uma de teimoso… (que bennet vector que nada! Vou meter um Gullwing Sidewinder II que vai dar no mesmo!) Daí comecei a saga em busca do pumping perfeito e praticar longa distancia (que pra mim, na época, eram 11km! rsrsrs!).

 

O LDP Rio ganhou um grupo no fb e junto a ela, abriu um oceano de possibilidades e acessos a informações – inicialmente os membros ativos da fanpage eram apenas – Yuri Santos, Thiago David, Denilson Costa, Alex Santos… eram os caras que me bombardeavam com conhecimento sobre técnica e setup. Cresceu uma amizade… e já os tinha como família! Chegava do trampo, doido pra continuar os debates no fb e contava os dias pro final de semana para praticar o que tinha lido e visto durante a semana.

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Em novembro de 2014, surge a oportunidade de viajar ao Rio e fazer junto a família LDP Rio, o meu primeiro Mega Pump (edição 5). Parecia que num era real… feito aquelas histórias que víamos uns anos atrás, sobre pessoas que se conheciam através da internet, mas que nunca se viram! Rsrsrs! Desembarcando no aeroporto, fui recepcionado pelo “cara do vídeo” – mestre Yuri Santos. (enquanto eu me apresentava e colocava a mala no carro, eu pensava: Po! O cara existe! Po, to no Rio pra andar com os caras do LDP Rio!!! Rsrsrss!) Durante o Mega Pump, conheci outros Brothers e outras feras que também me receberam muito bem! (tá todo mundo na foto da lagoa – MP5)!

https://www.youtube.com/watch?v=k7R6elDLNDM

A partir da experiência vivida nos 22km percorridos, comecei a evoluir e aprimorar o equipamento. Surge uma nova oportunidade! Dessa vez, de receber o mestre Yuri em terras capixabas e fazer um Mega Pump – Capixaba na cidade de Vitória (terra do asfalto de veludo!).

https://www.youtube.com/watch?v=UFF1OnpFFzw

Mês após mês, vou aprimorando ainda mais a técnica e o setup, já visualizando uma possível participação no UltraSkate em Miami em Fev.2016, mas por conta de uma hérnia de disco na L5, que deixou minha perna direita sem funcionar… acabo ficando no estaleiro por 90dias… proibido de fazer atividades com o skate e adio o sonho de participar da competição para 2017. Em Fevereiro 2015, começo a voltar a ter força na perna e conheço o Neder Santana que inicia com tudo na modalidade e vira rotina nos encontrar aos finais de semana para girar e acumular em média 11~22km por rolé.

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Por conta da postagem de alguns vídeos, a galera carioca começa a demonstrar interesse de fazer um rolé em terras capixabas e em Março/2015, recebemos em nossa casa mestre Denilson Costa, Dan Gass, Lívia Gândara e Lapa Fernandes. Ao mesmo tempo faço nova amizade por aqui e ganhamos mais um adepto – Walter Machado.

https://www.youtube.com/watch?v=57G4y735ZSc

Um dos finais de semana mais bacanas da minha vida! Turma maneiríssima! Simples e de bom coração que me faz sentir bem ao lembrar deles! Tanto é verdade, que animei e fui em direção ao Rio de Janeiro novamente, pra revê-los e reencontrar outros amigos que fiz virtualmente e na última visita durante o MP5 ! (trip inesquecível! ) Mega pump Itinerante (Guarapari e Vitória):

https://www.youtube.com/watch?v=CMPLWMUKX1A Mega Pump 22 – Rio de Janeiro

https://www.youtube.com/watch?v=bySLRbZkbhk

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Fiquei tão envolvido que voltei comecei a visualizar longas distâncias com o investimento num novo setup. Comecei a ficar fissurado por longas distancias e gradativamente evoluindo os KMs percorridos, buscando entender o corpo e reviver a paixão por desafios grandes que estava adormecida desde os tempos de ciclista federado. 25, 35, 40, 70km… percebia nitidamente que era possível chegar aos 100km! Provar pra mim mesmo que consigo vencer a minha mente! Vencer os limites que minha mente coloca pro meu corpo. Comecei a buscar mais conhecimento, ler mais, entender mais sobre a mecânica e o metabolismo para atividades de endurance. Mas eu precisava dividir esta conquista! Daí lancei o desafio ao amigo Neder Santana e planejamos a data para realizarmos a vitória juntos! Bem, pra quem acompanha o grupo… sabe qual o foi o resultado! Rsrs!

Superamos nossas mentes e batemos os 100km. Porém, o vício pegou… e sei que podemos ir mais longe ainda! Mas, por agora, o desafio continua sendo apenas no “quintal de casa”, mais uma vez adiarei minha participação no UltraSkate de Miami, por um ótimo motivo! Em Dezembro nasce minha primeira filha – Helena que carregará “veloce” também na alma e colocarei nos caminhos do skate de longa distância. Os treinos continuam orientados em distâncias acima de 100km… barreiras virão, lesões virão… mas não deixarei cair o desejo de minha alma em conquistar distancias cada vez maiores sobre o meu velho “brinquedo” de 37anos atrás! 😉

Sempre que tenho oportunidade, repito: Obrigado galera! Obrigado por fazer desse grupo um motivo a mais pra gnt curtir e viver a vida! Fazendo novas amizades e ampliando os horizontes de nossas mentes e corações! Vibrações positivas e muita asfalto pro pumping galera!

Rafa Veloce Martins

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